ENTRE SERRAS - arte contemporânea no campo

Projeto Bienal em Continuidade desde 2015

Idealizado pelas artistas e dançarinas Carol Pedalino, Dasha Lavrennikov e Aline Bernardi, o Entre Serras: Residências Artísticas e Políticas da Sustentabilidade, surge da necessidade e de interesses mútuos em expandir o fazer artístico para fora dos grandes centros em direção a uma política de projetos comunitários, ecológicos e sustentáveis. Nos últimos anos, Carol, Dasha e Aline semearam parcerias permeadas por vivências artísticas e comunitárias (residências artísticas, encontros de dança na natureza, performances, ações educativas e intercâmbios internacionais) que fomentaram uma base de trabalho em arte no contexto rural e a aproximação com questões locais, estimulando a criação de uma rede afetiva de troca de experiências.

DANÇA IN NATURA

Projeto Anual em Continuidade desde 2014

COLABORADORES

Carol Pedalino, Dasha Lavrennikov, Leo Fernandes, Leandro Floresta, Felipe Godoi, Rocio, Dani Lima, Michel Schert, Esther Weitzman, Vera Peirão.

Este ano realizaremos a 6a edição do Dança in Natura que acontecerá na Oca soma no Vale do Matutu. 

A primeira edição do Dança in natura aconteceu em agosto de 2014 a partir da demanda de um grupo de dançarinos frequentadores do Espaço Corpo - Sesc Copacabana. Carol Pedalino havia dado uma oficina intitulada, “O corpo é a casa” para este grupo no ano anterior e estabeleceu-se uma vontade mutua de continuar a se encontrar para dançar e criar.

 

Dançarinos e artistas de outros cantos e nacionalidades vieram participar do Dança in natura contribuindo para o intercâmbio de ideias, partilhas sensíveis e encontros potentes que vieram a acontecer. Dasha Lavrennikov somou a equipe trazendo propostas dançantes enquanto Felipe Godoi ficou a cargo do video-arte. 

 

Foram 4 dias de ateliês de corpo, voz, ritmo e cena; fogueiras musicais, intervenções artísticas espontâneas e muito bem estar proporcionados pelo verde, o céu, as águas e as montanhas do Gamarra. 

 

O resultado criativo e afetivo do primeiro Dança in natura foi surpreendente. A natureza do lugar pareceu expandir o potencial de todos os participantes que demonstraram inteireza nos trabalhos de  cena e nos modos de se relacionar, colaborar e compartilhar.

 

Na segunda edição exploramos ainda mais a relação corpo/natureza, nos apropriando do conceito de dança in situ. Improvisamos e compomos a partir do território geográfico que ocupamos, linhas geométricas em torno, cores, sons, o solo que pisamos, estruturas que tocamos, o acaso e outras noções de espaço e tempo.

 

Na edição 2016 recebemos a coreógrafa e bailarina Dani Lima para dirigir as composições coreográficas, improvisações e performances. Em parceria com Dani Lima, Carol Pedalino conduziu práticas de corpo e voz para cena e Leo Fernandes e Leandro Floresta estiveram no comando da música. Performances aconteceram in natura e Michel Schettert foi nosso homem video-arte, documentando e recortando a cena a partir de seu olhar sensível.

 

Nesta quarta edição queremos ir além explorando mais o experimental a partir das ferramentas que Dasha e Carol desenvolveram em sua parceria. Outros conceitos de comunidade e celebração vão fazer parte desta história escrita por todos aqueles que entram nesta jornada. 

Convidamos artistas e amantes do movimento para se juntar a nós nesta temporada de desenvolvimento artístico e aprimoramento do ser através da relação corpo/natureza.

PRÁTICA E TEORIA DO INVISÍVEL - RESIDÊNCIA ARTÍSTICA E PERFORMANCE

Projeto em continuidade

Criação e performance : Carol Pedalino, Dasha Lavrennikov, Leo Fernandes e Leandro Floresta

Em março de 2014 quatro artistas interdisciplinares se reuniram para uma primeira residência artística no Espaço Lua Branca, local dedicado ao desenvolvimento cultural e ambiental em um vale de montanhas no sul de Minas Gerais.

 

Afim de iniciar um conjunto de ações ligadas à dança, à música, ao teatro e à performance, o grupo mergulhou em uma pesquisa corporal e sonora que se desenvolveu em profunda conexão com o território geográfico e afetivo do local. Na zona rural, a proposta artística do grupo se fundou sob uma perspectiva filosófica de sustentabilidade; de intercambio cultural com a população local e de permeabilidade estética com o ambiente visível e invisível, humano e não-humano deste vale chamado Gamarra.

 

O projeto começou como dois encontros paralelos no mesmo espaço físico e co-vivência artística. Duas bailarinas/performers e dois músicos multinstrumentistas/compositores iniciaram pesquisas em suas disciplinas, que logo vieram a se fundir em uma só. Descobrindo e reinventando maneiras de co-laborar, os quatro artistas formaram o Coletivo Vivo,  tendo uma estrutura cênica/performática como resultado inicial deste encontro.

 

Fora das grandes metrópoles, o grupo apostou em uma política de descentralização, pesquisando, criando e fazendo apresentações no interior de Minas, em locais de difícil acesso à cultura. Ao mesmo tempo, artistas e público, vindos de grandes centros, puderam prestigiar e colaborar com o trabalho do coletivo, participando de oficinas e eventos promovidos pelo Espaço Lua Branca. No Vale do Gamarra e no vilarejo de Piracicaba, Dasha e Carol (dançarinas do coletivo), no final de novembro de 2014, organizaram uma edição de um festival internacional de artes integradas e educação criativa: o Fronteiras. Esta experiência forneceu ao coletivo Vivo - através de oficinas, residência artística, trabalho de permacultura, apresentações e outras ações -  material de pesquisa e maior conhecimento da cultura local local. (http://espacoluabranca.wix.com/fronteiras).

 

Durante este período, o grupo trabalhou dentro de um modelo econômico alternativo, investindo em um projeto que acreditaram (e acreditam) ser importante e urgente dentro da realidade contemporânea. Tiveram acesso a um local de ensaio e alimentação em troca de oficinas e apresentações de trabalhos ‘em processo' no Projeto Artistico Rural Lua Branca e também receberam financiamento para a realização de uma apresentação em uma escola local em Caxambu, pequena cidade perto da residência. 

 

 

TRECHO DO TEXTO DE GARCIA LORCA QUE INSPIROU ESSE PROJETO

 

... O anjo deslumbra, mas voa sobre a cabeça do homem, está acima, derrama sua graça, e o homem, sem nenhum esforço, realiza sua obra, ou sua simpatia, ou sua dança...
... A musa dita, e, em algumas ocasiões, sopra. Pode relativamente pouco, porque já está distante e tão cansada (eu a vi duas vezes) que teve que colocar meio coração de mármore....
...Anjo e musa vêm de fora; o anjo dá luzes e a musa dá formas (Hesíodo aprendeu com elas). Pão de ouro ou prega de túnicas, o poeta recebe normas no bosquezinho de lauréis. Ao contrário, o duende tem que ser despertado nas últimas moradas do sangue...
E rechaçar o anjo e dar um pontapé na musa, e perder o medo da fragrância de violetas que exala a poesia do século XVIII, e do grande telescópio em cujos cristais dorme a musa enferma de limites.
A verdadeira luta é com o duende...
...A chegada do duende pressupõe sempre uma transformação radical em todas as formas sobre velhos planos, dá sensações de frescor totalmente inéditas, com uma qualidade de rosa recém criada, de milagre, que chega a produzir um entusiasmo quase religioso...
...Todas as artes são capazes de duende, mas onde ele encontra maior campo, como é natural, é na música, na dança e na poesia falada, já que elas necessitam de um corpo vivo que interprete, porque são formas que nascem e morrem de modo perpétuo e alçam seus contornos sobre um presente exato.
E é impossível que ele se repita, isso é muito interessante de sublinhar. O duende não se repete, como não se repetem as formas do mar na tempestade.

A PARTIR DE AGORA

Criação e performance Carol Pedalino

Residência e Performances em 2014

Fotos de Claudio Pereira e Nico Boudier

 

 

A partir da geografia, sons, cores e luzes da "casa de feitio" do Céu do Gamarra, Carol Pedalino desenhou sua coreografia e mapeou sua performance. O trabalho também se inspirou na relação da bailarina com os rituais e figuras simbólicas do Santo Daime, doutrina brasileira cunhada pelo Mestre Irineu no começo do século XX a partir da bebida Ayahuasca. 

FRONTEIRAS

FESTIVAL INTERNACIONAL de ARTES INTEGRADAS E EDUCAÇÃO CRIATIVA 

COLABORADORES: Carol Pedalino, Dasha Lavrennikov, Rodrigo Maia. 

Edições em 2014 e 2015

Fronteiras é uma rede de artistas internacionais que busca promover processos artísticos interdisciplinares através da educação horizontal e transformação social em diferentes países, trabalhando com artes performativas e visuais em áreas urbanas e rurais.

GRUPO DO AGORA

PRIMEIRA RESIDÊNCIA ARTíSTICA NO GAMARRA

Com Carol Pedalino, Lindon Shimizo e Milena Codeço.

setembro de 2012

Em 2011 formou-se no Rio de Janeiro o Grupo do Agora de pesquisas interdisciplinares em dança, teatro, música e performance. A proposta dos intérpretes participantes foi criar um espaço de pesquisa experiemental para investigar estados do corpo a partir de módulos cênicos elaborados. A ideia seria atravesar estes módulos utilizando ferramentas dos nossos treinamentos corporais, improvisando e oscilando entre a ação e a percepcão.

 

 

Utilizou-se o livro "As Ondas" de Virginia Wolf como texto falado e inspiração para gestuais e movimentos de grupo.

Na residência de 5 dias no Gamarra, o trabalho também foi explorado em forma de vídeo e fotos. Esta residência foi uma abertura para a possibilidade de criar e pesquisar em um espaço alternativo de natureza. Dois anos depois, o Espaço Lua Branca foi inaugurado.

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